quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A falácia da redistribuição


A falácia da redistribuição


Por: Thomas Sowell


A gravação recentemente descoberta em que Barack Obamadisse, em 1998, que acredita na redistribuição, não é de fato uma notícia. Ele disse a mesma coisa para Joe, o encanador [*] há quatro anos. Mas o surgimento desta gravação pode servir a um propósito útil se levar as pessoas a pensarem sobre quais são as consequências da redistribuição de renda.

Aqueles que falam fluentemente sobre a redistribuição muitas vezes agem como se as pessoas fossem apenas objetos inertes que pudessem ser colocados aqui e ali, como peças em um tabuleiro de xadrez, para realizarem algum projeto grandioso. Mas, se os seres humanos têm suas próprias respostas às políticas de governo, então não podemos alegremente assumir que as políticas do governo terão o efeito pretendido.

A história do século XX está repleta de exemplos de países que se propuseram a redistribuir a riqueza e acabaram redistribuindo a pobreza. As nações comunistas foram um exemplo clássico, mas de nenhuma maneira o único exemplo.

Em teoria, confiscar a riqueza das pessoas mais bem-sucedidas deveria fazer o resto da sociedade mais próspera. Mas quando aUnião Soviética confiscou a riqueza de fazendeiros bem sucedidos, os alimentos tornaram-se escassos. Assim como muitas pessoas morreram de fome sob Stalin na década de 1930, também morreram no Holocausto de Hitler em 1940.

Como  se dá isso? Não é complicado. Você só pode confiscar a riqueza que existe em um dado momento. Você não pode confiscar a riqueza futura -  a riqueza futura é menos provável de ser produzida quando as pessoas virem que será confiscada. Os agricultores da União Soviética refrearam tempo e esforço que investiriam no crescimento de suas colheitas quando perceberam que o governo iria tomar uma grande parte da colheita. Eles abateram e comeram animais jovens que, normalmente, tenderiam a manter e alimentar, enquanto o preço poderia se elevar.

Pessoas na indústria não são objetos inertes também. Além disso, ao contrário dos agricultores, os industriais não estão ligados à terra em um determinado país.
Pioneiro da aviação, o russo Igor Sikorsky pode levar a sua experiência para a América e produzir seus aviões e helicópteros a milhares de quilômetros de distância de sua terra natal. Financistas são ainda menos amarrados, especialmente hoje, quando vastas somas de dinheiro podem ser enviadas eletronicamente para qualquer parte do mundo.

Se as políticas confiscatórias podem produzir repercussões contraproducentes em uma ditadura, elas são ainda mais difíceis de realizar em uma democracia. Uma ditadura, de repente, pode pegar o que quiser. Mas uma democracia deve primeiro ter discussões e debates públicos. Aqueles que são alvo de confisco podem ver pichações em muros e, ainda assim, agirem adequadamente.

Entre os ativos mais valiosos de qualquer nação estão: o conhecimento, as habilidades e experiência produtivas que os economistas chamam de "capital humano". Quando as pessoas bem-sucedidas com o capital humano deixam o país, seja voluntariamente, ou por causa de governos hostis ou multidões hostis chicoteadas pelos demagogos que exploram a inveja, o dano duradouro pode ser sentido na economia que eles deixam para trás.

As políticas confiscatórias de Fidel Castro impulsionaram os cubanos de sucesso a fugirem para a Flórida, muitas vezes deixando grande parte da sua riqueza física para trás. Mesmo refugiados e atingidos pela pobreza, cresceram e prosperaram de novo na Flórida, enquanto a riqueza que eles deixaram para trás em Cuba não impediu as pessoas de lá de serem indigentes no governo de Fidel Castro. A riqueza duradoura que os  refugiados levaram com eles era o seu capital humano.

Todos nós já ouvimos o velho ditado que dar a um homem um peixe irá alimenta-lo apenas por um dia, e ensinar-lhe a pescar irá alimenta-lo por toda a vida. Os partidários da redistribuição querem dar-lhe um peixe e deixá-lo dependente do governo, para mais peixes no futuro.

Se estes “redistribucionistas” fossem sérios,  o que eles gostariam de distribuir seria a capacidade de pescar, ou ser produtivo de outras maneiras. O conhecimento é uma das poucas coisas que podem ser distribuídas para as pessoas sem reduzir o montante realizado por outros.

Isso serviria melhor aos interesses dos pobres, mas não serve aos interesses de políticos que querem exercer o poder, e para obter os votos de pessoas que dependem deles.
Barack Obama pode anunciar infinitamente o seu slogan de "Forward" (“Avante”), mas o que ele propõe é ir para trás, para as políticas que falharam repetidamente em países ao redor do mundo.

No entanto, para muitas pessoas que não se incomodam em parar e pensar, a redistribuição soa bem.


Tradução: Maria Júlia Ferraz
Título original: The fallacy of redistribution
© M@M Proibida a reprodução



[*] Nota tradutora: durante a campanha presidencial de 2008 Joe Wurzelbacher questionou o então candidato Barack Obama sobre os planos do partido Democrata em aumentar a carga tributária sobre pequenas empresas, pois pretendia comprar uma pequena empresa de encanamentos e estava preocupado com aumento de impostos propostos por Obama. A repercussão do acontecimento foi grande, e Joe passou a ser conhecido como Joe, o encanador.


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