segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Como é que a Grécia chegou aqui? (Direto de Portugal)

por Diogo Pombo
 
Há quase dois anos que a Grécia é a nação mais falada da Europa. O conhecimento geral diz que o país atraiu os holofotes da atenção europeia devido ao seu mergulho num abismo económico que tem sido a pior face da crise financeira que afecta o continente. Mas, conhecidos e debatidos que estão os problemas que afectam a Grécia, há um sentido para os líderes europeus insistirem que o país viveu acima das suas possibilidades.
 
No fundo, a Grécia foi durante anos um pobre com tendências e manias de rico. O discurso que tantas vezes se ouviu em Portugal faz ainda mais sentido na Grécia: uma vivência acima das possibilidades. O problema para os helénicos foi que apenas em 2009 se começaram a divulgar os ‘disparates’ que o país cometeu durante anos.

Louise Armitstead, jornalista do Daily Telegraph, quis recuar no tempo e explicar o que correu mal para a Grécia atingir o estado que hoje está no centro da discussão europeia e mundial. E o problema grego começou a sair do seu esconderijo em Outubro de 2009.

O mês marcou a chegada de George Papandreou ao cargo de primeiro-ministro helénico. O então recém-eleito líder do executivo constatou que, durante vários anos, o país tinha escondido à EU, à zona euro e à sua população o seu real défice público – ou seja, o dinheiro a mais que o estado gastava -, para continuar dentro dos limites das directivas comunitárias.

'Mimos' acima das possibilidades

Durante décadas, a Grécia gastou dinheiro que não tinha, algo que se foi agravando, primeiro, quando o país entrou para a UE, em 1981, e depois, em 2001, quando aderiu ao euro, apesar dos seus índices económicos – leia-se, dívida -, não satisfazerem os mínimos exigíveis. Estas duas entradas permitiram ao país aceder a dinheiro e condições de crédito que lhe permitiram prolongar por mais tempo o seu endividamento.

E como foi este endividamento prolongado? Em suma, pelas medidas que mais recentemente os líderes europeus e da ‘troika’ – FMI, UE e BCE -, foram apontando. Pelo menos desde 1974, ano em que a Grécia saiu de um conflito no Chipre com a Turquia, que o governo helénico construiu um modelo de estado providência que deu à sua população condições muito para além das que podia oferecer.

Uma reduzida idade de reforma, pensões generosas e os 13.º e 14.º meses extra de salário são exemplos de medidas que apenas serviram para aumentar a dívida do país, algo que se foi agravando com a crescente tendência do povo grego para a evasão fiscal.

Até aos últimos cortes, anunciados este mês, a Grécia tinha um salário mínimo de 751 euros e, em 2011, a idade média de reforma para os helénicos situava-se nos 53 anos. Outros números da crise grega foram destacados pela BBC: os quase 21% que a taxa de desemprego atinge e os 48% da população jovem desempregada juntam-se aos 27,7% da população que está em risco de pobreza ou exclusão social.

Assim, quando Papandreou anunciou as primeiras medidas de austeridade, em Janeiro de 2010, a expressão «tarde demais» fazia todo o sentido.

«Uma obsessão europeia pela austeridade»

Em Maio do mesmo ano, a ‘troika’ anunciava o primeiro resgate financeiro à Grécia no valor de 110 mil milhões de euros, uma ajuda que, passados apenas alguns meses, se tornou insuficiente para a escala do problema grego.

Papandreou era obrigado a ir apertando ainda mais o cinto da austeridade no país, algo que, proporcionalmente, ia aumentando a revolta e protesto nas ruas do país. O povo, habituado a décadas de ‘mimos’ por parte do estado, ia ficando cada vez com menos dinheiro face aos cortes nos salários e pensões.

No final de 2011, um segundo resgate financeiro era cada vez mais discutido, algo que teria sempre a contrapartida de obrigar o executivo grego a impor ainda mais austeridade no país.

Em Outubro, a tentativa de Papandreou de realizar um referendo junto da população para aprovar uma segunda ajuda externa valeu-lhe a fúria dos responsáveis europeus, e a sua demissão. Agora, em Fevereiro de 2012, a Grécia está já encaminhada para receber mais 130 mil milhões de euros de ajuda externa, em troca de mais austeridade no país.

Mas a Europa poderá estar a afundar-se com a sua insistência na austeridade. Gordon Brown, antigo primeiro-ministro britânico entre 2007 e 2010, condenou o que considera ser o pensamento reinante na mente dos líderes europeus: «se a austeridade está a falhar, é porque ainda não existe em quantidade suficiente».

Nas suas palavras, destacadas pelo Wall Street Journal, Brown considera que continuar no caminho da austeridade apenas reforçará a estagnação económica, algo que ameaça a recuperação financeira não só da Grécia, como dos restantes países que também já convivem com medidas de austeridade, um lote onde Portugal está incluído.


Fonte: http://sol.sapo.pt/inicio/Internacional/Interior.aspx?content_id=42300

Divulgação: http://luis-cavalcante.blogspot.com

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