quarta-feira, 29 de abril de 2009

EMPREGO E PRODUÇÃO NÃO SÃO SINÔNIMOS DE PROSPERIDADE E BEM ESTAR

FOTO: Linha de produção bélica americana duranta a 2a. Guerra: emprego era total, mas prosperidade baixa

Emprego e produção não são sinônimos de prosperidade e bem estar

Um dos maiores equívocos de keynesianos e afins é medir prosperidade e bem estar de acordo com os níveis agregados de produção e emprego. Olhando por esse prisma, uma economia vai bem quando os níveis de desemprego são baixos e o Produto Interno Bruto é alto. Por conta disso, todo o arcabouço teórico – e retórico – dos intervencionistas vai no sentido de que as ações governamentais – leia-se: gasto público - devem objetivar, prioritariamente, o aumento do emprego, pouco importando a utilidade daquilo que estes empregos produzem. Em síntese, o trabalho humano passa a ser um fim em si mesmo, e não um meio para alcançarmos melhores níveis de bem estar.
Os bens e serviços, como os próprios nomes dão a entender, são produtos que devem ter utilidade para alguém. Logo, criar riqueza não é apenas fabricar algo. Precisa ser algo que tenha valor de troca, ou seja, algo que consumidores estejam dispostos a adquirir, por necessidade ou prazer. Em resumo, precisa ser algo que tenha demanda e, consequentemente, potencial lucrativo. Não fosse assim, bastaria que todos ocupássemos o nosso tempo, por exemplo, a cavar grandes buracos com pequeninas colheres, e a sociedade prosperaria sem parar.

A produção de bens ou serviços que não gera lucro, ou seja, que não remunera o investimento realizado, é destruidora de riqueza, pois desperdiça fatores de produção (trabalho, matéria prima, equipamentos), sempre escassos, que poderiam estar sendo utilizados em outras atividades mais úteis para a sociedade em geral. Por isso, quanto mais lucrativa é uma economia, maior é a prosperidade e bem estar da sociedade.

Por não visarem ao lucro (e não estarem sujeitos à concorrência), os governos são normalmente muito menos eficientes e tendem mais à destruição de riquezas do que a iniciativa privada. Além disso, os investimentos do Estado são determinados pelo seu viés político, não pelos sinais de preço enviados pelo mercado. Daí porque uma certa vocação para os investimentos de pouca utilidade.

Nos países comunistas da antiga Cortina-de-ferro, o Estado produzia até bastante. O problema é que eles empregavam recursos humanos e materiais para produzir coisas em geral sem muita utilidade para a população e, portanto, não criavam riqueza. O cerne do problema comunista, onde quer que seja, está justamente na ausência do lucro como mola propulsora da atividade produtiva, e da concorrência como incentivo institucional à eficiência. Nas economias planificadas, produz-se aquilo que a cabeça dos burocratas determina, de acordo com os gostos subjetivos desta mesma burocracia ou, o que é ainda pior, simplesmente com o objetivo manter o poder pela força. Geralmente, atividades intensivas de mão-de-obra são preferíveis às intensivas de capital. Não surpreende, portanto, que a produção de armas fosse a atividade principal do Império Soviético, ao mesmo tempo em que faltava pão, leite e muitos outros gêneros de primeira necessidade.

Embora fosse a grande potência mundial na produção de armas e equipamentos de uso militar, os russos jamais conseguiram fabricar um mísero liquidificador que prestasse, simplesmente porque os fabricantes não visavam ao lucro, não tinham concorrentes e não precisavam preocupar-se com o consumidor. Em suma, fabricavam coisas, mas não criavam necessariamente riqueza.

Na antiga URSS, havia pleno emprego – ou quase isso - e produção em massa de inúmeros produtos, mas não havia prosperidade, pois de nada adianta produzir coisas que não têm como fim a satisfação de alguém. Eis aqui a grande virtude e beleza do capitalismo: a ganância dos empreendedores precisa estar voltada para o objetivo de produzir satisfação ao seu semelhante, sem o que ele não enriquece.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o PIB dos EUA experimentou um crescimento extraordinário. Produziu-se bastante naquele período, mas tal qual na URSS, produziu-se majoritariamente bens (armas, munições, etc.) que não visavam à satisfação do cidadão americano, mas ao consumo do governo e, principalmente, ao consumo da guerra. Então, mesmo com aquele incremento fantástico do PIB no período, os níveis de bem estar da sociedade permaneceram baixos - na verdade, foi um dos períodos de maior penúria, em que faltavam até mesmo itens de primeira necessidade.

Economistas keynesianos e alguns historiadores mais apressados costumam cometer os mais interessantes erros ao tratar da Segunda Guerra. De modo geral, esses “especialistas” defendem que esta guerra, graças aos “investimentos maciços do governo americano na economia”, encerrou a fase de depressão econômica dos anos 30 e recolocou a nação no caminho da prosperidade. Suas conclusões, no entanto, são absolutamente equivocadas, pois baseiam-se exclusivamente nas taxas de desemprego e PIB.

De fato, o desemprego oficial quase desapareceu, tendo caído de 14.6% em 1940 para apenas 1,2% em 1944. O que estas estatísticas escondem, porém, segundo o economista Robert Higgs, é que praticamente 11 milhões de americanos encontravam-se prestando serviço militar naquele período, dos quais 8 milhões eram desempregados em 1940. Ora, prestar serviço militar, notadamente em tempos de guerra, não é uma atividade criadora de riqueza e, muito menos geradora de bem estar. Pelo contrário, a guerra destrói muito mais do que cria, machuca muito mais do que conforta.

Por outro lado, o Produto Interno Bruto também experimentou um sensível aumento naquele mesmo período. Pelos dados oficiais, o PIB norte-americano aumentou 84% entre 1940 e 1944. O problema é que todo esse incremento foi resultado de gastos governamentais, na sua quase totalidade voltados à produção de armas e equipamentos militares e pagamento de pessoal conscrito.

Já o componente privado do PIB (consumo e investimento), aquele que, como vimos acima, está ligado aos bens que geram bem estar, na verdade caiu depois de 1941, e era 13% menor em 1943. Somente depois do término da guerra é que a economia privada – direta ou indiretamente voltada para a produção de bens de consumo – voltou aos índices anteriores à grande depressão e começou a recuperar o nível de bem estar.

Um outro exemplo bastante didático é o da Alemanha nazista da década de 1930. Em 1933, a produção militar respondia por apenas 2% do PIB daquele país. Já em 1940, esta mesma produção era responsável por espantosos 44%. O emprego, como era esperado, cresceu em proporção semelhante, porém os níveis de bem estar, medidos pela geração de riquezas, ou seja, pela produção de bens econômicos úteis, que atendessem às necessidades e desejos humanos, estavam muito longe do ideal.

Se procurarmos, encontraremos certamente inúmeros exemplos de sociedades, ao longo da História, em que havia trabalho para todos - às vezes muito trabalho, como na China Maoísta -, havia produção (de coisas que não necessariamente riquezas), mas não havia satisfação, conforto - enfim, prosperidade, cuja única medida é a abundância de bens de consumo à disposição dos indivíduos.

Fonte: http://www.midiaamais.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=181&Itemid=54

RELATÓRIO DO BANCO CENTRAL MOSTRA PREFERÊNCIA DE BRASILEIROS POR CARTÕES



Os brasileiros estão cada vez mais preferindo os meios eletrônicos para pagar despesas.

Pela primeira vez, os cartões de débito ultrapassaram os cheques como meio de pagamento no Brasil. Segundo relatório divulgado pelo Banco Central (BC), em 2008, ocorreram 2,1 bilhões de transações com cartões de débito, contra 1,94 bilhão de transações com cheques. Os dados constam do Diagnóstico do Sistema de Pagamentos de Varejo no Brasil. De acordo com o levantamento, a utilização dos cartões de débito tem crescido acima da média. De 2005 a 2008, aumentou 84%, enquanto o uso do cheque caiu 23%. Se também forem incluídos os cartões de crédito na conta, os cartões eletrônicos responderam por 53,8% dos pagamentos no varejo sem o uso de cédulas de dinheiro no ano passado, contra os 50,3% registrados em 2007.

Nas transações inferiores a R$ 5 mil, a participação dos cartões foi ainda maior, aumentando de 55%, em 2007, para 59%, em 2008. Conforme o relatório, o número de cartões de débito em circulação no País somou 207,9 milhões no ano passado, alta de 14% em relação a 2007.

Foi a primeira vez que ultrapassou a marca de 200 milhões. Ao mesmo tempo, o número de cartões de crédito existentes no Brasil passou de 117,7 milhões, em 2007, para 132,1 milhões em 2008, aumento de 12%. A pesquisa mostrou ainda que o uso de cheques está cada vez mais restrito s transações de maior valor. De acordo com o BC, o valor médio dos pagamentos com cheque foi de R$ 835 no ano passado. Para os cartões, cada consumidor gastou, em média, R$ 49 em cartões de débito e R$ 86 nos de crédito.

O relatório destacou que há espaço para o uso do cartão de débito como forma de pagamento se expandir ainda mais. Enquanto cada consumidor faz, em média, 18,4 transações com cartões de crédito por ano nível similar ao dos países desenvolvidos a quantidade de pagamentos com cartões de débito foi de 9,3 transações.

Ainda há espaço para aumento da utilização desse instrumento de pagamento, destacou o BC. A pesquisa também apontou alta no uso de outros instrumentos eletrônicos. O total de pagamentos efetuados por meio de transferências entre contas correntes passou de 5,9 bilhões para 6,5 bilhões. De 2005 a 2008, a alta foi de 37%.

A utilização do débito em conta corrente caiu, atingindo em 846 milhões de transações em 2008, contra 853 milhões em 2007.

Fonte: DCI