sábado, 16 de fevereiro de 2008

Deus, o trabalho e a prosperidade

Prof. Dr. Rev. Augustus Nicodemus Lopes

A prosperidade financeira obedece a normas, regras e métodos estabelecidos. Por outro lado, da perspectiva bíblica, a prosperidade é um dom de Deus. É ele quem concede saúde, oportunidades, inteligência, e tudo o mais que é necessário para o sucesso financeiro. E isso, sem distinção de pessoas quanto ao que crêem e quanto ao que contribuem financeiramente para as comunidades às quais pertencem. Deus faz com que a chuva caia e o sol nasça para todos, justos e injustos, crentes e descrentes, conforme Jesus ensinou (Mateus 5:45). Não é possível, de acordo com a tradição reformada, estabelecer uma relação constante de causa e efeito entre contribuições, pagamento de dízimos e ofertas e mesmo a religiosidade, com a prosperidade financeira. Várias passagens da Bíblia ensinam os crentes a não terem inveja dos ímpios que prosperam, pois cedo ou tarde haverão de ser punidos por suas impiedades, aqui ou no mundo vindouro.

Através dos séculos, as religiões vêm pregando que existe uma relação entre Deus e a prosperidade material das pessoas. No Antigo Oriente, as religiões consideradas pagãs estabeleceram milênios atrás um sistema de culto às suas divindades que se baseava nos ciclos das estações do ano, na busca do favor dessas divindades mediante sacrifícios de vários tipos e na manifestação da aceitação divina mediante as chuvas e as vitórias nas guerras. A prosperidade da nação e dos indivíduos era vista como favor dos deuses, favor esse que era obtido por meio dos sacrifícios, inclusive humanos, como os oferecidos ao deus Moloque. No Egito antigo a divindade e poder de Faraó eram mensurados pelas cheias do Nilo. As religiões gregas, da mesma forma, associavam a prosperidade material ao favor dos deuses, embora estes fossem caprichosos e imprevisíveis. As oferendas e sacrifícios lhes eram oferecidas em templos espalhados pelas principais cidades espalhadas pela bacia do Mediterrâneo, onde também haviam templos erigidos ao imperador romano, cultuado como deus.

A religião dos judeus no período antes de Cristo, baseada no Antigo Testamento, também incluía essa relação entre a ação divina e a prosperidade de Israel. Tal relação era entendida como um dos termos da aliança entre Deus e Abraão e sua descendência. Na aliança, Deus prometia, entre outras coisas, abençoar a nação e seus indivíduos com colheitas abundantes, ausência de pragas, chuvas no tempo certo, saúde e vitória contra os inimigos. Essas coisas eram vistas como alguns dos sinais e evidências do favor de Deus e como testes da dependência dele. Todavia, elas eram condicionadas à obediência e só viriam caso Israel andasse nos seus mandamentos, preceitos, leis e estatutos. Estes incluíam a entrega de sacrifícios de animais e ofertas de vários tipos, a fidelidade exclusiva a Deus como único Deus verdadeiro, uma vida moral de acordo com os padrões revelados e a prática do amor ao próximo. A falha em cumprir com os termos da aliança acarretava a suspensão dessas bênçãos. Contudo, a inclusão na aliança, o favor de Deus e a concessão das bênçãos não eram vistos como meritórios, mas como favor gracioso de Deus que soberanamente havia escolhido Israel como seu povo especial.

O Cristianismo, mesmo se entendendo como a extensão dessa aliança de Deus com Abraão, o pai da fé, deu outro enfoque ao papel da prosperidade na relação com Deus. Para os primeiros cristãos, a evidência do favor de Deus não eram necessariamente as bênçãos materiais, mas a capacidade de crer em Jesus de Nazaré como o Cristo, a mudança do coração e da vida, a certeza de que haviam sido perdoados de seus pecados, o privilégio de participar da Igreja e, acima de tudo, o dom do Espírito Santo, enviado pelo próprio Deus ao coração dos que criam. A exultação com as realidades espirituais da nova era que raiou com a vinda de Cristo e a esperança apocalíptica do mundo vindouro fizeram recuar para os bastidores o foco na felicidade terrena temporal, trazida pelas riquezas e pela prosperidade, até porque o próprio Jesus era pobre, bem como os seus apóstolos e os primeiros cristãos, constituídos na maior parte de órfãos, viúvas, soldados, diaristas, pequenos comerciantes e lavradores. Havia exceções, mas poucas. Os primeiros cristãos, seguindo o ensino de Jesus, se viam como peregrinos e forasteiros nesse mundo. O foco era nos tesouros do céu.

A Idade Média viu a cristandade passar por uma mudança nesse ponto (e em muitos outros). A pobreza quase virou sacramento, ao se tornar um dos votos dos monges, apesar de Jesus Cristo e os apóstolos terem condenado o apego às riquezas e não as riquezas em si. Ao mesmo tempo, e de maneira contraditória, a Igreja medieval passou a vender por dinheiro as indulgências, os famosos perdões emitidos pelo papa (como aqueles que fizeram voto de pobreza poderiam comprá-los?). Aquilo que Jesus e os apóstolos disseram que era um favor imerecido de Deus, fruto de sua graça, virou objeto de compra. Milhares de pessoas compraram as indulgências, pensando garantir para si e para familiares mortos o perdão de Deus para pecados passados, presentes e futuros.

A Reforma protestante, nascida em reação à venda das indulgências, entre outras razões, reafirmou o ensino bíblico de que o homem nada tem e nada pode fazer para obter o favor de Deus. Ele soberana e graciosamente o concede ao pecador arrependido que crê em Jesus Cristo, e nele somente. A justificação do pecador é pela fé, sem obras de justiça, afirmaram Lutero, Calvino, Zwinglio e todos os demais líderes da Reforma. Diante disso, resgatou-se o conceito de que o favor de Deus não se pode mensurar pelas dádivas terrenas, mas sim pelo dom do Espírito e pela fé salvadora, que eram dados somente aos eleitos de Deus. O trabalho, através do qual vem a prosperidade, passou a ser visto, particularmente nas obras de Calvino, como tendo caráter religioso. Acabou-se a separação entre o sagrado e o profano que subjaz ao conceito de que Deus abençoa materialmente quem lhe agrada espiritualmente. O calvinismo é, precisamente, a primeira ética cristã que deu ao trabalho um caráter religioso. Mais tarde, esse conceito foi mal compreendido por Max Weber, que traçou sua origem à doutrina da predestinação como entendida pelos puritanos do século XVIII. Weber defendeu que os calvinistas viam a prosperidade como prova da predestinação, de onde extraiu a famosa tese que o calvinismo é o pai do capitalismo. As conclusões de Weber têm sido habilmente contestadas por estudiosos capazes, que gostariam que Weber tivesse estudado as obras de Calvino e não somente os escritos dos puritanos do séc. XVIII.

Atualmente, em nosso país, a idéia de que Deus sempre abençoa materialmente aqueles que lhe agradam vem sendo levada adiante com vigor, não pelos calvinistas e reformados em geral, mas pelas igrejas evangélicas chamadas de neopentecostais, uma segunda geração do movimento pentecostal que chegou ao Brasil na década de 1900. A mensagem dos pastores, bispos e “apóstolos” desse movimento é que a prosperidade financeira e a saúde são a vontade de Deus para todo aquele que for fiel e dedicado à Igreja e que sacrificar-se para dar dízimos e ofertas. Correspondentemente, os que são infiéis nos dízimos e ofertas são amaldiçoados com quebra financeira, doenças, problemas e tormentos da parte de demônios. Na tentativa de obter esses dízimos e ofertas, os profetas da prosperidade promovem campanhas de arrecadação alimentadas por versículos bíblicos freqüentemente deslocados de seu contexto histórico e literário, prometendo prosperidade financeira aos dizimistas e ameaçando com os castigos divinos os que pouco ou nada contribuem.

O crescimento vertiginoso de igrejas neopentecostais que pregam a prosperidade só pode ser explicado pela idéia equivocada que o favor de Deus se mede e se compra pelo dinheiro, pelo gosto que os evangélicos no Brasil ainda têm por bispos e apóstolos, pela idéia nunca totalmente erradicada que pastores são mediadores entre Deus e os homens e pelo misticismo supersticioso da alma brasileira no apego a objetos considerados sagrados que podem abençoar as pessoas. Quando vejo o retorno de grandes massas ditas evangélicas às práticas medievais de usar no culto a Deus objetos ungidos e consagrados, procurando para si bispos e apóstolos, imersas em práticas supersticiosas e procurando obter prosperidade material por meio de pagamento de dízimos e ofertas me pergunto se, ao final das contas, o neopentecostalismo brasileiro e sua teologia da prosperidade não são, na verdade, filhos da Igreja medieval, uma forma de neo-catolicismo tardio que surge e cresce em nosso país onde até os evangélicos têm alma medieval.

Fonte:
http://tempora-mores.blogspot.com/2008/02/deus-o-trabalho-e-prosperidade.html

domingo, 3 de fevereiro de 2008

ASSOCIAÇÃO DOS ECONOMISTAS CALVINISTAS

Estamos trabalhando para surgimento de uma Sociedade Científica em Ciência Econômica com os pressupostos filosóficos reformacionais. Temos no Economista, Prof. Dr. Bob Goudzwaard, professor emérito de Teoria Econômica da Universidade Livre de Amsterdam/Holanda, como inspiração para o desenvolvimento de uma CIÊNCIA ECONÔMICA CALVINISTA OU REFORMACIONAL. (Associação dos Economistas Calvinistas). Leia mais sobre este grande economista...

E o ambiente desta reflexão acadêmica acontece no diálogo com os pensadores e as tradições abaixo:

Tradição reformada neo-calvinista kuyperiana – Dr. Abraham Kuyper – Teólogo, Filósofo, Educador, Estadista, Fundador da Universidade Livre de Amsterdam (Vrijie Universiteit) em 1880 e Primeiro Ministro da Holanda entre 1901-1905; Leia mais sobre este grande educador e estadista cristão...

Tradição reformada neo-calvinista dooyeweerdiana – Dr. Herman Dooyeweerd - Jurista e Professor de Filosofia do Direito na Universidade Livre de Amsterdam (Vrijie Universiteit), é considerado pelo intelectual italiano Giorgio Delvecchio como o “filósofo mais profundo, inovador e penetrante deste Kant” - Leia mais sobre este grande jurista...

Tradição reformada neo-calvinista plantingiana – Dr. Alvin Plantinga – Atual Professor na Universidade de Notre Dame/EUA e uns dos maiores epistemólogo (epistemologia reformacional) da atualidade. Leia mais sobre este grande pensador...


Tradição reformada neo-calvinista – Dr. Nicholas Paul Wolterstorff – PhD em Filosofia pela Universidade de Harvard, sendo Professor Emérito da Universidade Yale/EUA e Professor no Calvin College, Universidade de Harvard, Universidade de Princeton, Universidade Oxford e Universidade Livre Amsterdam. Leia mais sobre este grande pensador...

O Dr. Roy A. Clouser tornou-se recentemente um dos maiores divulgadores da filosofia reformacional, fundada por Dooyeweerd e Vollenhoven. O próprio Clouser foi instruído diretamente por Dooyeweerd, freqüentando sua casa e discutindo filosofia duas ou três vezes, durante um período de quatro meses em que esteve na Holanda. Clouser obteve seu Ph. D. pela Universidade da Pennsylvania em 1972, com uma tese intitulada "Transcendental Critique, Ontological Reduction, and Religious Belief in the Philosophy of Herman Dooyeweerd". Foi professor por 34 anos (a partir de 1968) no The College of New Jersey. É também músico. Seus interesses são a filosofia da religião, metafísica, filosofia da ciência e religiões comparadas. Atualmente leciona, como professor emérito na mesma instituição, filosofia moderna, filosofia da religião, metafísica e relações entre ciência e religião.

A fama o alcançou por seu livro The Myth of Religious Neutrality: An Essay on the Hidden Role of Religious Belief in Theories ("O Mito da Neutralidade Religiosa: Um Ensaio sobre o Papel Oculto da Crença Religiosa nas Teorias"), lançado em 1991 pela University of Notre Dame Press. Nesse livro Couser argumenta que toda teoria científica ou filosófica pressupõe algo como sendo divino, no sentido de ser a realidade absoluta e não dependente. Nesse sentido, todo pensamento teórico seria "religiosamente regulado". A crença em certa divindade regula internamente as teorias de modo que a compreensão das entidades postuladas pela teoria é determinada pela natureza da "divindade" pressuposta. Clouser argumenta ainda que essa regulação não se deve a uma mera influência histórica ou social, mas é parte necessária e integrante do próprio ato de teorização, sendo, portanto "universal e inevitável". Clouser apresenta o estudo de alguns casos em matemática, física e psicologia para ilustrar seu ponto, e apresenta uma proposta alternativa: essa regulação produziria um resultado bastante diferente, se a crença religiosa controladora do processo teórico fosse à crença em Deus.

O pensamento de Clouser segue a filosofia do holandês Herman Dooyeweerd, que ele reapresenta de um modo verdadeiramente original. Ele mostra que não existe neutralidade religiosa na ciência ou na filosofia, e que a crença teísta proporciona uma ontologia radicalmente não-reducionista que pode ser aplicada em todos os campos da ciência e da filosofia, com resultados surpreendentes.

O livro de Clouser foi indicado para o American Academy of Religion Excellence Award e para o Grawemeyer Award in Religion. Na primavera de 2005 apareceu uma segunda edição do livro, totalmente revisado e aumentado, e estão em preparação traduções em espanhol e alemão. Além desse livro Clouser publicou outro sucesso: Knowing with the Heart ("Conhecendo com o Coração"), pela InterVarsity Press, em 1999. Nessa obra, escrita em forma de um diálogo entre um cristão e um cético, Clouser procura mostrar, a partir da ontologia teísta de Dooyeweerd e de conceitos de Pascal, que há vários tipos de conhecimento, ligados a diferentes tipos de crenças básicas. Assim há critérios de justificação diferentes para cada tipo de crença; e que o conhecimento da fé é um tipo específico, que dá origem à visão que alguém sustenta sobre o aspecto "divino" da realidade (o mesmo tratado em sua obra mais famosa). Clouser também escreveu numerosos artigos, em revistas como Critica e Filosofia Reformata, e capítulos de livros, dos quais se destacam as contribuições para a série Facets of Faith and Sciente do Pascal Centre for Advanced Studies in Faith and Science (o texto integral de algumas dessas contribuições está disponível no site de CLouser). Atualmente está trabalhando em um livro que possivelmente será intitulado Belief in God and Strategies for Theories, pela University of Notre Dame Press. Leia mais sobre este grande pensador..

Visão da Associação dos Economistas Calvinistas
Ser uma sociedade científica que possa produzir trabalhos de relevância para a ciência econômica, melhorando a vida econômica das pessoas, das empresas e dos governos a partir de uma epistemologia reformacional.

Missão da Associação dos Economistas Calvinistas
- Divulgação do Pensamento Teórico Econômico, Filosófico e Teológico Reformacional;
- Fortalecimento da AKET - Associação Kuyper de Estudos Transdisciplinares - www.aket.org.br como espaço intelectual de crescimento e desenvolvimento intelectual cristão e a organização do centro de estudos econômicos reformados da AKET;
- Realização de cursos e seminários em teoria econômica reformacional.
- Divulgação da literatura reformada e reformacional para o desenvolvimento de uma teoria econômica calvinista.

Princípios da Associação dos Economistas Calvinistas
Soli Deo Gloria
Solus Christus
Sola Fide
Sola Gratia
Sola Scriptura


Conhecendo um pouco o Prof. Luis Cavalcante, seu parceiro nesta caminhada reformacional...

Professor Universitário, Formado em Teologia, Contabilista e Diretor da Contabilidade Icavalcante, Economista, Pós-graduado em Administração de Empresas e Educação. Diretor do Cavalcante Group & Associates - Empresa de Consultoria Empresarial focada na Metodologia 4D4E - 1. Honrar a Deus em Todos os Processos Empresariais – Excelência Ética / 2. Desenvolver Pessoas nas Suas Competências e Habilidades – Excelência Humana / 3. Desenvolver Excelência em Todos os Processos de Negócios – Excelência Estrutural / 4. Desenvolver Lucro e Resultados Sustentáveis – Excelência Financeira. Diretor do Instituto de Educação e Cultura Reformada (Dedicado a Divulgação do Cristianismo como Estrutura de Pensamento Intelectual, Geração de Riqueza e Força Propulsora de Transformação Cultural, Social, Econômica e Política e o Surgimento do Estado Reformado para a Glória de Deus). Membro da AKET – Associação Kuyper de Estudos Transdisciplinares (www.aket.org.br). Membro da SCB – Sociedade Criacionista Brasileira (www.scb.org.br). Membro e Professor da Escola Bíblica Dominical da Igreja Presbiteriana do Brasil em Osasco (IPO). Editor dos Jornais: “Jornal Reforma e Avivamento” e “Cidade Reformada”.

Site Empresarial: www.icavalcante.net
E-mail: cavalcante@icavalcante.net

Site Social: www.luiscavalcante.com
E-mail: cavalcante@luiscavalcante.com

Sype: prof.luiscavalcante

Blog sobre Reflexões Educacionais: http://superandooconstrutivismo.blogspot.com

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